Cuidados de pacientes com doenças inflamatória intestinais sobre o Coronavírus

Recentemente o novo coronavírus chegou ao Brasil e até o momento já existem mais de 70 pessoas infectadas pelo território nacional. É extremamente importante tomar alguns cuidados para evitar o contágio e também se informar. Por isso, preparamos uma sessão de perguntas e resposta sobre o novo coronavírus e os cuidados necessário para pacientes com uma doença inflamatória intestinal. Todo conteúdo é baseado no material fornecido pelo Grupo de Estudos da Doença Inflamatória Intestinal do Brasil (GEDIIB), em conjunto com a Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR) e A Beneficência Portuguesa de São Paulo.

O que é o Coronavirus?
O novo coronavírus (SARS-2-CoV) é um vírus identificado como a causa de um surto de doença respiratória, detectado pela primeira vez em dezembro de 2019 em Wuhan, na China. A doença associada ao novo vírus é denominada COVID-19.

Quais são os sintomas do coronavírus?
Na maioria dos casos, os sintomas são os mesmo de um resfriado comum, que incluem:

  • Febre
  • Tosse
  • Dor de Garganta
  • Dificuldade para respirar
  • Dor de cabeça
  • Dor muscular

Quais os cuidados de prevenção necessários?
Recomendasse alguns cuidados básicos para evitar o contágio da infecção, que incluem:

  • Lavar as mãos frequentemente com água e sabonete por 20 segundos.
  • Se não houver água e sabonete, usar álcool em gel 70%.
  • Evitar tocar nos olhos, nariz e boca com as mãos não lavadas.
  • Evitar contato próximo com pessoas doentes.
  • Evitar locais com aglomeração de pessoas.
  • Ficar em casa se apresentar sintomas gripais.
  • Evitar tocar objetos compartilhados e não toque o rosto depois de usá-los (como maçanetas, canetas, mouse, talheres, smartphone, elevadores, dinheiro, toalhas).
  • Cobrir boca e nariz ao tossir ou espirrar com um lenço de papel e jogar no lixo.
  • Limpar e desinfetar objetos e superfícies tocados com frequência.

Quando acontece o início dos sintomas?
O tempo entre a infecção e início dos sintomas é em média de 4 dias, podendo variar de 3 a 14 dias. O período de transmissibilidade é em média de 7 dias, podendo ser de até 14 dias após o início dos sintomas. A transmissão também pode ocorrer antes do início dos sintomas, apesar disso ser menos comum.

Como o nCoV-19 age no portador de doença de Crohn ou retocolite ulcerativa?
Os pacientes que apresentam algum grau de imunossupressão podem manifestar quadros infecciosos de maior gravidade, como pode ocorrer com qualquer outro tipo de infecção nestes pacientes. Portanto, na vigência de sintomas sugestivos de infecção pelo coronavírus, o paciente deverá procurar assistência médica, preferentemente orientação com seu médico assistente.

O risco de um paciente com doença inflamatória intestinal contrair a infecção é diferente da população em geral?
Os pacientes com doença inflamatória intestinal, particularmente se em uso de imunossupressores ou imunobiológicos, podem apresentar um risco maior em contrair a infecção.

O paciente com doença inflamatória intestinal ativa está mais vulnerável?
O paciente com doença ativa deverá utilizar-se das medidas de prevenção citadas acima, pois podem ser mais susceptíveis a contraírem a infecção. Aqueles em uso de medicamentos do tipo imunossupressores e/ou imunobiológicos, que apresentam sintomas semelhantes à do coronavírus, deverão suspender esses medicamentos temporariamente, ao mesmo tempo que buscam por assistência médica.

Pacientes com doença inflamatória intestinal que fazem uso de biológico, imunossupressor ou corticoide deve suspender essas medicações, na suspeita de contágio pelo coronavírus?
Embora as evidências científicas sobre este assunto ainda sejam muito escassos, a partir de dados obtidos a respeito de outras infecções, nós sugerimos que os pacientes que fazem uso de medicações imunossupressoras e/ou imunobiológicas devem procurar assistência médica para avaliar a necessidade de suspender temporariamente essas medicações. Existe um aumento do risco de contaminação nos pacientes com doença inflamatória intestinal em uso dessas medicações.

Caso contraia o vírus, ele pode piorar a minha doença inflamatória intestinal?
Não existem evidências robustas quanto a isso, pois se trata de uma doença viral muito recente, de curto período de duração (até 12 dias) e de curso, usualmente, benigno, que vai parecer um resfriado na maioria dos casos. É importante lembrar que em cerca de 5% dos pacientes o próprio vírus pode ocasionar náuseas e diarreia aquosa.

Qual a taxa de mortalidade do Coronavirus?
Cerca 20% dos pacientes infectados desenvolvem formas mais graves da doença. As populações mais susceptíveis a apresentar complicações e quadro mais graves são: Idosos, pacientes com doenças cardíacas, pulmonares e com alterações no sistema imunológico. A mortalidade dos pacientes infectados atualmente é de aproximadamente 3%, porém varia muito de acordo com a faixa etária:
Maior de 80 anos: 14,8%
70 – 79 anos: 8,0%
60-69 anos: 3,6%
50 – 59 anos: 1,3%
40 – 49 anos: 0,4%
10 – 39 anos: 0,2%
0 – 9: anos: Não foram registrados óbitos

Como é feito o tratamento do coronavírus?
Não existe tratamento específico para infecções causadas pelo coronavírus humano. Casos mais graves podem necessitar de internação hospitalar para exames adicionais, controle das doenças de base, suporte ventilatório e terapia intensiva. Em casos leves, é indicado repouso e consumo de bastante água, além de algumas medidas para aliviar os sintomas, conforme cada caso, como, por exemplo:
• Uso de medicamento para dor e febre (antitérmicos e analgésicos).
• Uso de umidificador no quarto ou tomar banho quente para auxiliar no alívio da dor de garganta e tosse.

Se sentir os 3 sintomas graves, tosse ou espirro, febre e dificuldade de respirar, procure ajuda médica para confirmar diagnóstico e iniciar o tratamento.

É importante lembrar que a grande maioria das infecções por coronavírus terá uma evolução benigna e sem complicação, simulando um resfriado comum e poderá e deverá ser tratada em casa.

Somente uma minoria dos pacientes que contrair o vírus necessitará hospitalização para receber cuidados médicos adequados.

Como sugestão, o Ministério da Saúde disponibilizou um aplicativo para Android e iOS sobre o coronavírus com as seguintes funcionalidades:

  • Informações
  • Dicas
  • Mapas de unidades de saúde
  • Avaliação rápida sobre a relação de sintomas